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Medicamentos antiparasita: mebendazol, albendazol

Atualizado 26 de agosto de 2026
Nesta edição
  1. Que medicamentos tratam parasitas intestinais reais em Portugal?
  2. Como se toma o mebendazol (Toloxim, Pantelmin)?
  3. Como se toma o albendazol (Zentel)?
  4. Por que é preciso analisar as fezes antes de tratar?
  5. Precisam de receita médica?
  6. Contraindicações: para quem não é seguro
  7. Efeitos secundários e interações
  8. Quando o tratamento revela algo mais sério
  9. O que este material explica e o que não substitui
  10. Porque não damos alguns números
  11. Sinais de alarme: quando não esperar pela farmácia
  12. Fontes utilizadas

Resposta curta: os medicamentos com eficácia comprovada contra parasitas intestinais em Portugal são o mebendazol (Toloxim, Pantelmin) e o albendazol (Zentel) — ambos benzimidazóis, aprovados pelo INFARMED, com posologia definida em miligramas para cada parasita. O mebendazol vende-se sem receita (Pantelmin, cerca de 8,50 €); o albendazol é o de primeira escolha na Norma da Direção-Geral da Saúde para as infestações intestinais mais comuns. Nenhum dos dois deve ser tomado "por prevenção": a norma portuguesa diz explicitamente para diagnosticar antes de tratar.

Esta página resume o que consta nos folhetos informativos aprovados destes dois medicamentos e na Norma nº 006/2017 da DGS — não substitui a bula que vem na caixa nem a consulta médica.

8,50 €
preço de referência do Pantelmin (mebendazol), 6 comprimidos
400 mg
dose única de albendazol para lombrigas e oxiúros em adulto
2 anos
idade mínima recomendada para tratar com mebendazol

Que medicamentos tratam parasitas intestinais reais em Portugal?

Para as infestações intestinais mais frequentes — lombrigas (Ascaris lumbricoides), oxiúros (Enterobius vermicularis) e ancilostomíase (Ancylostoma duodenale, Necator americanus) — a Norma 006/2017 da DGS define uma primeira e uma segunda escolha, com o mesmo esquema usado na prática clínica de adultos:

Parasita Primeira escolha Segunda escolha
Lombrigas, oxiúros, ancilostomíase Albendazol 400 mg, toma única Mebendazol 500 mg toma única, ou pamoato de pirantel 11 mg/kg (máx. 1 g), toma única

O folheto do próprio mebendazol (Toloxim, suspensão oral) e o do albendazol (Zentel, comprimidos) cobrem um espetro mais amplo de parasitas — o mebendazol está indicado também para tricocefalíase, estrongiloidíase, triquinose, angiostrongilose e teníase; o albendazol para giardíase em crianças, larva migrans cutânea e outras helmintíases intestinais mistas. Nenhum dos dois trata todos os parasitas por igual — o médico ou o farmacêutico escolhe consoante o resultado do exame.

Como se toma o mebendazol (Toloxim, Pantelmin)?

A posologia oficial do folheto do Toloxim (suspensão oral, 20 mg/ml) é a mesma para adultos e crianças a partir dos 2 anos — não varia com o peso corporal, ao contrário do que muita gente assume:

Indicação Dose Repetição
Enterobíase (oxiúros) 5 ml, toma única repetir em 2–4 semanas
Ascaridíase, ancilostomíase, tricocefalíase, infestações mistas 5 ml de manhã e à noite, 3 dias seguidos repetir em 3–4 semanas se houver recidiva
Teníase, estrongiloidíase (adultos) 5 ml, 2–3 vezes ao dia, 3 dias repetir em 2–4 semanas

A repetição não é opcional em muitos casos: o folheto justifica-a pela "grande possibilidade de reinfestação" — sobretudo nos oxiúros, cujos ovos sobrevivem em roupa de cama e superfícies e voltam a infetar a mesma pessoa.

Não é preciso jejum nem dieta especial: o folheto diz que "a presença de alimentos no trato digestivo não influencia a ação do medicamento". Pode tomar-se a qualquer hora do dia.

Como se toma o albendazol (Zentel)?

O Zentel 400 mg comprimidos tem um regime de dose baixa e curta duração para infestações intestinais simples, diferente do regime de dose alta usada em hospital para infeções sistémicas (hidatidose, neurocisticercose):

Indicação Dose
Lombrigas, tricocéfalos, oxiúros, ancilóstomos — adultos e crianças >2 anos 400 mg, toma única
Mesmas indicações, crianças 1–2 anos 200 mg, toma única
Ténias, Strongyloides 400 mg/dia, 3 dias (repetir em 10–21 dias se confirmada H. nana)
Giardíase — só listada para crianças 2–12 anos 400 mg/dia, toma única, 5 dias

Se os sintomas não desaparecerem três semanas depois de terminar o tratamento, o próprio folheto indica um segundo período de tratamento — não é sinal automático de que o medicamento falhou, mas é razão para voltar ao médico e confirmar o diagnóstico, não para repetir a dose por conta própria.

Vale notar uma lacuna honesta do folheto: para giardíase em adultos, o Zentel não declara uma dose própria — só lista crianças dos 2 aos 12 anos. A Norma 006/2017 usa 400 mg/dia, uma vez ao dia, durante 5 dias como referência da mesma classe terapêutica, mas isso é uma norma pediátrica aplicada por analogia, não uma indicação de bula para adultos. Preferimos dizer isto abertamente a inventar uma dose que a bula não dá.

Por que é preciso analisar as fezes antes de tratar?

A Norma 006/2017 da DGS é direta neste ponto: "não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais". A lógica é diagnosticar primeiro, tratar depois — o oposto de tomar um antiparasitário "por prevenção" ou porque um sintoma vago (inchaço, comichão, cansaço) pareceu sugestivo.

Para a maioria dos parasitas cobertos pela norma, o exame recomendado é o parasitológico de fezes com concentração — até três amostras, colhidas em dias diferentes, num período máximo de 10 dias, porque a excreção de ovos é intermitente e uma amostra só pode dar negativo mesmo havendo infeção. Explicamos o exame com mais detalhe em como funciona a análise às fezes.

Há uma exceção importante: para oxiúros, o exame de fezes não é o indicado. Como a fêmea deposita os ovos na região perianal, o teste correto é a fita adesiva perianal (teste de Graham), aplicada de manhã antes do banho. Quem entrega uma amostra de fezes comum para pesquisar oxiúros pode receber um resultado falsamente negativo. Mais sobre este parasita, o verme-fio.

Para Giardia lamblia, a norma soma a pesquisa de antigénio nas fezes ao exame parasitológico, porque tem sensibilidade maior do que a observação direta ao microscópio para este parasita específico — ver a infeção por giardia. E para ascaridíase e as parasitoses mais comuns em geral, o panorama epidemiológico e os tipos de parasita estão resumidos em parasitas intestinais em geral e em ascaridíase.

Precisam de receita médica?

O mebendazol tem estatuto confirmado: o Pantelmin 100 mg (mebendazol) é medicamento não sujeito a receita médica (MNSRM), vendido livremente em farmácia por cerca de 8,50 € as 6 comprimidos.

Para o albendazol (Zentel), não encontrámos confirmação direta e categórica do estatuto de dispensa junto do INFARMED — o padrão de venda observado em farmácias online portuguesas sugere disponibilidade sem receita no regime de dose baixa, mas preferimos não afirmar isso como facto até confirmar, porque afirmar categoricamente o que não está confirmado é o mesmo erro que criticamos nos concorrentes.

De qualquer forma, "não precisar de receita" não é o mesmo que "não precisar de diagnóstico". Mesmo sendo venda livre, a Norma 006/2017 continua a recomendar exame antes do tratamento — comprar uma caixa por menos de 10 € só faz sentido se o exame confirmar que há um parasita para tratar.

Contraindicações: para quem não é seguro

Albendazol — contraindicação absoluta na gravidez. O folheto do Zentel é categórico: "as mulheres em risco de engravidar deverão utilizar um método contracetivo eficaz durante e até um mês após o tratamento. O tratamento só deverá ser iniciado após teste de gravidez negativo." Em mulheres em idade fértil, recomenda-se começar o tratamento nos primeiros sete dias após a menstruação.

Mebendazol — contraindicado em gravidez e amamentação. O folheto do Toloxim lista alergia ao mebendazol ou a outros benzimidazóis, gravidez (confirmada ou suspeita) e amamentação como contraindicações. Recomenda-se precaução em pessoas com epilepsia, pelo risco raro de convulsões associado ao medicamento. Não é recomendado em crianças com menos de 2 anos.

Um medicamento com eficácia comprovada e regulado pelo INFARMED tem este nível de aviso explícito sobre gravidez, exigindo teste antes de começar o tratamento. Vale lembrar isto sempre que aparecer um produto vendido online sem esse tipo de restrição declarada — a ausência de aviso não significa que o produto seja mais seguro, pode só significar que ninguém regulou a dose.

Efeitos secundários e interações

Nas pessoas mais infestadas, os efeitos mais comuns de ambos os medicamentos são digestivos: diarreia, vómitos, dor abdominal. São menos frequentes sonolência, comichão, dor de cabeça e tonturas. Alterações no fígado (enzimas hepáticas), eosinofilia e diminuição de glóbulos brancos são raras, segundo o folheto do mebendazol.

O albendazol pode elevar ligeira a moderadamente as enzimas do fígado — reversível ao suspender o medicamento — e, raramente, suprimir a medula óssea. Este risco de monitorização (análises ao sangue a cada duas semanas) aplica-se sobretudo aos regimes de dose alta e longa duração usados para hidatidose ou neurocisticercose, não ao tratamento comum de lombrigas ou oxiúros, que é de toma única ou de 3 dias.

Interações a ter em conta:

Quem toma outros medicamentos de forma regular — anticonvulsivantes, antirretrovirais, antiácidos — deve mencioná-lo ao médico ou farmacêutico antes de comprar qualquer antiparasitário, mesmo os de venda livre.

Quando o tratamento revela algo mais sério

É raro, mas o folheto do albendazol descreve um cenário específico: em zonas de elevada transmissão de Taenia solium (não o cenário típico português), o tratamento pode revelar uma neurocisticercose pré-existente — a larva do parasita alojada no cérebro. A reação inflamatória à morte do parasita pode causar convulsões, aumento da pressão intracraniana e sinais neurológicos focais, exigindo início imediato de esteroides ou anticonvulsivantes. É um contexto raro e específico, mencionado aqui para explicar por que este é medicamento sujeito a acompanhamento, e não um motivo de alarme para o leitor português médio.

O que este material explica e o que não substitui

Aqui reunimos o que consta nos folhetos informativos aprovados pelo INFARMED para o mebendazol e o albendazol, e o que a Norma 006/2017 da DGS diz sobre diagnosticar antes de tratar. Não há aqui diagnóstico: só um exame — de fezes ou de fita-cola, consoante o parasita — diz se há infestação. Não há também prescrição de dose ajustada ao seu caso: isso é decisão do médico ou do farmacêutico, que conhece o seu historial, outros medicamentos e situações como gravidez ou doença hepática.

Porque não damos alguns números

Duas coisas que preferimos não afirmar sem confirmação, em vez de inventar um número que soa mais completo:

Não indicamos o preço do Zentel (albendazol) em euros, porque não conseguimos confirmar um valor de referência fiável nesta pesquisa — ao contrário do Pantelmin, cujo preço encontrámos numa farmácia online portuguesa. E não damos uma dose de adulto para giardíase com albendazol, porque o folheto do Zentel simplesmente não a lista — só lista crianças dos 2 aos 12 anos. Preencher esta lacuna com um número inventado seria mais cómodo para o texto, mas seria informação que não existe na fonte.

Sinais de alarme: quando não esperar pela farmácia

Nenhum destes medicamentos deve ser a primeira resposta a estes sinais — eles pedem avaliação médica, não uma caixa de antiparasitário comprada por conta própria:

Nestes casos, o próximo passo é o médico de família, não uma segunda caixa do mesmo medicamento.

Fontes utilizadas

Perguntas frequentes

Mebendazol e albendazol podem ser comprados sem receita?

O mebendazol (Pantelmin) é medicamento não sujeito a receita médica, vendido livremente em farmácia por cerca de 8,50 €. Para o albendazol (Zentel) não temos confirmação categórica do estatuto — mesmo que seja de venda livre, a Norma 006/2017 continua a recomendar diagnóstico por exame antes de tratar.

Qual a diferença entre mebendazol e albendazol?

Cobrem espetros semelhantes de parasitas intestinais, mas com formulações e regimes diferentes: o mebendazol usado como Toloxim é suspensão oral, com dose em mililitros; o albendazol (Zentel) é comprimido de 400 mg, tipicamente em toma única para as infestações mais comuns. Na Norma 006/2017, o albendazol aparece como primeira escolha e o mebendazol como segunda para lombrigas, oxiúros e ancilostomíase.

Posso tomar um destes medicamentos só por prevenção, sem sintomas?

Não é o que a Norma 006/2017 recomenda — o texto é direto: não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais. O caminho correto é diagnosticar por exame e só então tratar.

Grávida pode tomar mebendazol ou albendazol?

Não. Os dois são contraindicados na gravidez. O albendazol tem aviso explícito de contraceção eficaz durante e até um mês após o tratamento, e de teste de gravidez negativo antes de começar.

É preciso fazer jejum antes de tomar?

Não. Os folhetos de ambos os medicamentos dizem que não são necessários jejum, purga nem dieta especial — podem tomar-se a qualquer hora do dia.

E se os sintomas continuarem depois do tratamento?

O folheto do Zentel prevê um segundo período de tratamento se não houver cura três semanas depois. Mas sintomas persistentes também podem significar que o diagnóstico inicial não era o parasita certo — vale voltar ao médico com o resultado do exame em mãos, não repetir a dose sozinho.