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Oxiurose (infecção por oxiuro)

Atualizado 26 de agosto de 2026
Nesta edição
  1. O que é a oxiurose e o que a causa?
  2. Como se transmite a oxiurose?
  3. Quais são os sintomas?
  4. Quem tem mais risco — é mesmo uma doença de crianças?
  5. Como se diagnostica a oxiurose?
  6. Qual é o tratamento?
  7. Como prevenir a reinfeção?
  8. Sinais de alarme: quando não esperar
  9. O que este material explica e o que não substitui
  10. Porque não damos aqui a dose do medicamento
  11. Fontes utilizadas

Resposta curta: a oxiurose não é causada por um protozoário — é uma infestação por um verme (nematode), o Enterobius vermicularis, também chamado oxiúro. É uma das parasitoses intestinais cobertas pela única norma clínica portuguesa sobre o tema — a Direção-Geral da Saúde não publicou outra — e essa norma é especificamente pediátrica: a oxiurose é, na prática clínica, sobretudo uma queixa de crianças em idade escolar, transmitida entre elas e para os adultos da mesma casa. O sintoma mais associado é comichão à volta do ânus. O diagnóstico correto não é análise de fezes, é um teste de fita-cola. E o tratamento, quando confirmado, não é só para quem tem sintomas: é para toda a família, repetido passadas duas semanas.

2 semanas
intervalo recomendado pela Norma DGS para repetir o tratamento
fita-cola
teste correto para diagnosticar oxiúros — não análise de fezes
8,50 €
preço de referência do mebendazol (Pantelmin), venda livre

O que é a oxiurose e o que a causa?

A oxiurose (ou enterobíase) é a infestação intestinal pelo Enterobius vermicularis, um verme nematode branco e fino, com poucos milímetros. Não é um protozoário — protozoários são organismos unicelulares como a Giardia lamblia ou a Entamoeba histolytica, que causam outras doenças e têm diagnóstico e tratamento diferentes. A confusão é comum, mas a Norma nº 006/2017 da Direção-Geral da Saúde separa claramente os dois grupos ao listar os parasitas que cobre:

Grupo Exemplos cobertos pela Norma 006/2017 Tipo de organismo
Vermes (helmintas) Enterobius vermicularis (oxiúros), Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenalis, Necator americanus, Trichuris trichiura multicelular
Protozoários Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Cryptosporidium unicelular

A oxiurose está na primeira coluna. Quem procura giardíase ou outra infeção por protozoário está a falar de um problema diferente — explicamos essa distinção com mais detalhe em giardíase.

Como se transmite a oxiurose?

A transmissão é fecal-oral, e é isso que explica porque a oxiurose se espalha tão facilmente dentro de uma casa. A fêmea deposita os ovos na pele à volta do ânus. Segundo a Direção-Geral da Saúde, esses ovos sobrevivem em roupa de cama, debaixo das unhas e em superfícies — o que abre três vias práticas de reinfeção:

É esta cadeia — não contacto único, mas reinfeção contínua dentro do mesmo agregado — que explica porque a Direção-Geral da Saúde recomenda tratar toda a família, não só quem tem sintomas, e repetir a toma passadas duas semanas.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais associado à oxiurose é comichão na zona perianal — os ovos ficam depositados exatamente ali, o que causa irritação local. Muitas pessoas notam que a comichão piora à noite ou ao acordar. Faz sentido: é coerente com a localização dos ovos descrita pela norma. Noutros casos a infestação pode não dar sintomas percetíveis, ou dar apenas um desconforto ligeiro que passa despercebido.

Em crianças pequenas, a comichão persistente pode perturbar o sono e deixar a criança mais irritada ou inquieta do que o habitual, sem que os pais associem de imediato a causa a um parasita.

🔴 Nem toda comichão anal é oxiurose — hemorroidas, dermatite de contacto e outras causas dão sintomas parecidos. O diagnóstico não se faz "a olho", faz- se por exame, explicado na secção seguinte.

Quem tem mais risco — é mesmo uma doença de crianças?

Sim, no essencial. A oxiurose está entre as parasitoses intestinais cobertas pela única norma clínica portuguesa que existe sobre o tema — a 006/2017 da Direção-Geral da Saúde — e essa norma tem "Idade Pediátrica" no próprio título. Isso reflete a realidade da prática clínica. É sobretudo em crianças em idade escolar que a infestação aparece e se propaga, por dois motivos concretos e já explicados acima — proximidade física em ambiente escolar/creche e o hábito infantil de levar as mãos à boca depois de coçar.

Adultos também podem ser infetados, quase sempre por transmissão dentro da própria casa: um pai ou uma mãe que trata só o filho, sem se tratar a si próprio, tende a manter o ciclo de reinfeção entre todos.

Quem procura este tema em nome de um filho não está sozinho — é o padrão mais comum de pesquisa sobre oxiurose em Portugal.

Como se diagnostica a oxiurose?

Aqui está o ponto que mais gera confusão: o exame certo para oxiúros não é a análise de fezes habitual. Como os ovos são depositados na pele à volta do ânus, e não libertados nas fezes em quantidade relevante, a Direção-Geral da Saúde recomenda o teste de fita-cola perianal (também chamado teste de Graham) — aplicado de manhã, antes do banho, antes de o contacto com água ou sabão remover os ovos da pele.

Quem entrega uma amostra de fezes comum a pedir pesquisa de oxiúros corre o risco de receber um resultado falsamente negativo mesmo havendo infestação. Explicamos o procedimento completo, incluindo como se recolhe a amostra, em diagnóstico de parasitas.

Qual é o tratamento?

Existem dois medicamentos com eficácia comprovada e regulados pelo INFARMED para tratar oxiúros: o mebendazol (Toloxim, Pantelmin) e o albendazol (Zentel), ambos benzimidazóis. A Norma 006/2017 dá o albendazol como primeira escolha e o mebendazol como segunda para lombrigas, oxiúros e ancilostomíase, ambos em dose única. O folheto do mebendazol recomenda repetir a toma passadas 2 a 4 semanas "dadas as grandes possibilidades de reinfestação"; a Norma DGS, especificamente para oxiúros, fala em repetir ao fim de duas semanas. As doses exatas, em miligramas por idade, estão detalhadas em medicamentos antiparasita — não as repetimos aqui para não criar duas versões do mesmo número em páginas diferentes.

O ponto que esta página quer deixar claro, e que muita gente ignora: tratar só a criança com sintomas raramente resolve o problema. A Direção-Geral da Saúde recomenda tratar a criança e todos os conviventes no mesmo agregado familiar, com repetição passadas duas semanas — precisamente por causa da cadeia de reinfeção descrita mais acima. Uma pessoa sem sintomas pode estar infetada e reiniciar o ciclo assim que o resto da família termina o tratamento.

Nenhum dos dois medicamentos deve ser usado como prevenção sem sintomas nem diagnóstico — a própria norma portuguesa avisa: "não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais". E o albendazol tem uma contraindicação absoluta que vale a pena conhecer antes de qualquer decisão: não pode ser tomado durante a gravidez, e o folheto exige teste de gravidez negativo antes de iniciar o tratamento em mulheres em idade fértil.

Como prevenir a reinfeção?

Como os ovos sobrevivem em roupa de cama, unhas e superfícies, a prevenção prática assenta em cortar essas três vias:

Estas medidas não substituem o medicamento quando há infestação confirmada, mas reduzem a reinfeção depois do tratamento — e são a única forma de quebrar o ciclo quando há mais do que uma pessoa infetada em casa.

Sinais de alarme: quando não esperar

A oxiurose por si só raramente é grave, mas há sinais que pedem avaliação médica em vez de tentar resolver por conta própria em casa:

Nestes casos, o passo seguinte é o médico de família, não uma segunda caixa do mesmo medicamento comprada sem confirmar o que está a ser tratado.

O que este material explica e o que não substitui

Aqui reunimos o que a Norma 006/2017 da Direção-Geral da Saúde diz sobre diagnóstico e princípios de tratamento da oxiurose, e o essencial sobre como o parasita se transmite e se previne. Não há aqui diagnóstico: só o teste de fita-cola, feito e lido corretamente, confirma se há infestação. Não há também prescrição de dose ajustada ao seu caso ou ao do seu filho — isso é decisão do médico ou do farmacêutico, sobretudo em crianças pequenas ou quando há outras condições de saúde envolvidas.

Porque não damos aqui a dose do medicamento

Poderíamos repetir aqui as miligramas do mebendazol e do albendazol, mas preferimos não duplicar esse número em duas páginas — se algo mudar no folheto de um dos medicamentos, corrigir num único sítio evita que fique uma versão desatualizada esquecida noutro lado. A dose completa, por idade e por indicação, está em mebendazol e albendazol: doses e preços. Da mesma forma, não recomendamos aqui nenhum produto vendido como "limpeza" ou "detox natural" para parasitas sem exame prévio. A própria norma portuguesa é direta ao dizer que tratamento preventivo sem diagnóstico não deve ser prescrito, e isso vale tanto para medicamentos como para suplementos vendidos com essa promessa.

Fontes utilizadas

Perguntas frequentes

A oxiurose é causada por um protozoário?

Não. É causada por um verme nematode, o Enterobius vermicularis. Os protozoários (como a Giardia lamblia) causam outras infeções intestinais, com sintomas, diagnóstico e tratamento diferentes.

A oxiurose é mesmo mais comum em crianças?

Na prática clínica portuguesa, sim — a oxiurose está entre as parasitoses cobertas pela única norma da Direção-Geral da Saúde que existe sobre o tema, e essa norma é especificamente pediátrica. A transmissão em ambiente escolar e o hábito infantil de coçar e levar as mãos à boca ajudam a explicar porquê. Adultos também são infetados, quase sempre por transmissão dentro de casa.

Uma análise de fezes normal exclui oxiúros?

Não necessariamente. Os ovos são depositados na pele à volta do ânus, não libertados em quantidade relevante nas fezes — por isso o exame correto é o teste de fita-cola (Graham), feito de manhã antes do banho, e não a análise de fezes habitual.

Só a pessoa com sintomas precisa de tratamento?

Não. A Direção-Geral da Saúde recomenda tratar a criança e todos os conviventes da mesma casa, com repetição passadas duas semanas — mesmo quem não tem sintomas pode estar infetado e reiniciar o ciclo.

Posso tratar oxiúros sem confirmar o diagnóstico?

Não é o que a norma portuguesa recomenda. O texto é direto: não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais. O caminho correto é confirmar por teste de fita-cola e só depois tratar.