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Oxiurose (infecção por oxiuro)

Autoria Redação Estômago Forte Atualizado 16 de setembro de 2026

A oxiurose não é causada por um protozoário — é uma infestação por um verme (nematode), o Enterobius vermicularis, também chamado oxiúro. É uma das parasitoses intestinais cobertas pela Norma 006/2017 da Direção-Geral da Saúde — a única norma clínica portuguesa sobre o tema. É uma infestação que circula dentro de casa: quem partilha casa de banho, roupa de cama e toalhas com uma pessoa infetada entra na mesma cadeia de reinfeção. O sintoma mais associado é comichão à volta do ânus. O diagnóstico correto não é análise de fezes, é um teste de fita-cola. E o tratamento, quando confirmado, não é só para quem tem sintomas: é para toda a família, repetido passadas duas semanas.

Nesta edição
  1. O que é a oxiurose e o que a causa?
  2. Como se transmite a oxiurose?
  3. Quais são os sintomas?
  4. Quem tem mais risco de apanhar oxiurose?
  5. Como se diagnostica a oxiurose?
  6. Qual é o tratamento?
  7. Como prevenir a reinfeção?
  8. Oxiúros que não cedem ao tratamento e outros sinais
  9. Oxiurose: o teste de fita-cola decide, não esta página
  10. Porque não damos aqui a dose do medicamento
  11. Fontes utilizadas

2 semanas
intervalo recomendado pela Norma DGS para repetir o tratamento

O que é a oxiurose e o que a causa?

A oxiurose (ou enterobíase) é a infestação intestinal pelo Enterobius vermicularis, um verme nematode branco e fino, com poucos milímetros. Não é um protozoário — protozoários são organismos unicelulares como a Giardia lamblia ou a Entamoeba histolytica, que causam outras doenças e têm diagnóstico e tratamento diferentes. A confusão é comum, mas a Norma nº 006/2017 da Direção-Geral da Saúde separa claramente os dois grupos ao listar os parasitas que cobre:

Grupo Exemplos cobertos pela Norma 006/2017 Tipo de organismo
Vermes (helmintas) Enterobius vermicularis (oxiúros), Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenalis, Necator americanus, Trichuris trichiura multicelular
Protozoários Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Cryptosporidium unicelular

A oxiurose está na primeira coluna. Quem procura giardíase ou outra infeção por protozoário está a falar de um problema diferente — explicamos essa distinção com mais detalhe em giardíase, a infeção por protozoário.

fita-cola
teste correto para diagnosticar oxiúros — não análise de fezes

Como se transmite a oxiurose?

A transmissão é fecal-oral, e é isso que explica porque a oxiurose se espalha tão facilmente dentro de uma casa. A fêmea deposita os ovos na pele à volta do ânus. Segundo a Direção-Geral da Saúde, esses ovos sobrevivem em roupa de cama, debaixo das unhas e em superfícies — o que abre três vias práticas de reinfeção:

  • autocontaminação: quem tem comichão coça a zona, fica com ovos debaixo das unhas e leva a mão à boca ou aos alimentos;
  • roupa de cama: os ovos sobrevivem ali e voltam a infetar a mesma pessoa ao trocar de roupa ou fazer a cama;
  • superfícies partilhadas: casas de banho, toalhas e maçanetas carregam os ovos de uma pessoa da casa para outra.

É esta cadeia — não contacto único, mas reinfeção contínua dentro do mesmo agregado — que explica porque a Direção-Geral da Saúde recomenda tratar toda a família, não só quem tem sintomas, e repetir a toma passadas duas semanas.

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preço de referência do mebendazol (Pantelmin), venda livre

Quais são os sintomas?

O sintoma mais associado à oxiurose é comichão na zona perianal — os ovos ficam depositados exatamente ali, o que causa irritação local. Muitas pessoas notam que a comichão piora à noite ou ao acordar. Faz sentido: é coerente com a localização dos ovos descrita pela norma. Noutros casos a infestação pode não dar sintomas percetíveis, ou dar apenas um desconforto ligeiro que passa despercebido.

A comichão persistente costuma piorar à noite e pode chegar a perturbar o sono — é frequente perceber-se o padrão só depois de várias noites mal dormidas seguidas.

Nem toda comichão anal é oxiurose — hemorroidas, dermatite de contacto e outras causas dão sintomas parecidos. O diagnóstico não se faz "a olho", faz- se por exame, explicado na secção seguinte.

Quem tem mais risco de apanhar oxiurose?

O risco maior está em quem partilha casa com uma pessoa já infetada. Na prática clínica portuguesa a oxiurose concentra-se em idade escolar — a norma da Direção-Geral da Saúde que a cobre é a das parasitoses em idade pediátrica — e é normalmente por aí que entra num agregado familiar. A partir daí, o adulto que usa a mesma casa de banho, a mesma máquina de lavar e as mesmas toalhas fica exposto da mesma forma.

Três situações concentram o risco no adulto:

  • viver com alguém infetado e tratar só essa pessoa, mantendo o ciclo de reinfeção dentro de casa;
  • contacto próximo continuado com roupa de cama, pijamas e toalhas durante o período em que há ovos — que sobrevivem fora do corpo;
  • instituições e alojamentos partilhados, onde a mesma casa de banho e os mesmos têxteis servem várias pessoas.

Um adulto infetado pode não ter sintomas nenhuns e continuar a espalhar ovos — é essa a razão prática de a norma mandar tratar todos os conviventes ao mesmo tempo, e não apenas quem se queixa.

Como se diagnostica a oxiurose?

Aqui está o ponto que mais gera confusão: o exame certo para oxiúros não é a análise de fezes habitual. Como os ovos são depositados na pele à volta do ânus, e não libertados nas fezes em quantidade relevante, a Direção-Geral da Saúde recomenda o teste de fita-cola perianal (também chamado teste de Graham) — aplicado de manhã, antes do banho, antes de o contacto com água ou sabão remover os ovos da pele.

Quem entrega uma amostra de fezes comum a pedir pesquisa de oxiúros corre o risco de receber um resultado falsamente negativo mesmo havendo infestação. Explicamos o procedimento completo, incluindo como se recolhe a amostra, em diagnóstico de parasitas.

Qual é o tratamento?

Existem dois medicamentos com eficácia comprovada e regulados pelo INFARMED para tratar oxiúros: o mebendazol (Toloxim, Pantelmin) e o albendazol (Zentel), ambos benzimidazóis. A Norma 006/2017 dá o albendazol como primeira escolha e o mebendazol como segunda para lombrigas, oxiúros e ancilostomíase, ambos em dose única. O folheto do mebendazol recomenda repetir a toma passadas 2 a 4 semanas "dadas as grandes possibilidades de reinfestação"; a Norma DGS, especificamente para oxiúros, fala em repetir ao fim de duas semanas. As doses exatas, em miligramas por idade, estão detalhadas em medicamentos antiparasita — não as repetimos aqui para não criar duas versões do mesmo número em páginas diferentes.

O ponto que esta página quer deixar claro, e que muita gente ignora: tratar só quem tem sintomas raramente resolve o problema. A Direção-Geral da Saúde recomenda tratar a pessoa infetada e todos os conviventes no mesmo agregado familiar, com repetição passadas duas semanas — precisamente por causa da cadeia de reinfeção descrita mais acima. Uma pessoa sem sintomas pode estar infetada e reiniciar o ciclo assim que o resto da família termina o tratamento.

Nenhum dos dois medicamentos deve ser usado como prevenção sem sintomas nem diagnóstico — a própria norma portuguesa avisa: "não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais". E o albendazol tem uma contraindicação absoluta que vale a pena conhecer antes de qualquer decisão: não pode ser tomado durante a gravidez, e o folheto exige teste de gravidez negativo antes de iniciar o tratamento em mulheres em idade fértil.

Como prevenir a reinfeção?

Como os ovos sobrevivem em roupa de cama, unhas e superfícies, a prevenção prática assenta em cortar essas três vias:

  • lavar as mãos, sobretudo antes das refeições e depois de usar a casa de banho;
  • manter as unhas curtas e limpas, para reduzir onde os ovos se acumulam;
  • trocar e lavar roupa de cama, pijama e toalhas com regularidade durante o tratamento, a temperatura alta, para destruir os ovos;
  • evitar coçar a zona diretamente — quando possível, lavar a zona perianal de manhã, antes de qualquer outra higiene.

Estas medidas não substituem o medicamento quando há infestação confirmada, mas reduzem a reinfeção depois do tratamento — e são a única forma de quebrar o ciclo quando há mais do que uma pessoa infetada em casa.

Oxiúros que não cedem ao tratamento e outros sinais

A oxiurose por si só raramente é grave, mas há sinais que pedem avaliação médica em vez de tentar resolver por conta própria em casa:

  • sintomas que continuam ou pioram depois do tratamento completo e da repetição indicada — pode significar reinfeção ativa, diagnóstico errado, ou outro problema a par;
  • sangue nas fezes, persistente ou recorrente;
  • perda de peso não intencional de 5% ou mais do peso habitual, sem dieta ou exercício para explicar;
  • febre alta ou dor abdominal intensa associada à comichão — não é padrão típico de oxiurose isolada e merece avaliação.

Nestes casos, o passo seguinte é o médico de família, não uma segunda caixa do mesmo medicamento comprada sem confirmar o que está a ser tratado.

Oxiurose: o teste de fita-cola decide, não esta página

Aqui reunimos o que a Norma 006/2017 da Direção-Geral da Saúde diz sobre diagnóstico e princípios de tratamento da oxiurose, e o essencial sobre como o parasita se transmite e se previne. Não há aqui diagnóstico: só o teste de fita-cola, feito e lido corretamente, confirma se há infestação. Não há também prescrição de dose ajustada ao seu caso — isso é decisão do médico ou do farmacêutico, sobretudo quando há gravidez, outros medicamentos ou outras condições de saúde envolvidas.

Porque não damos aqui a dose do medicamento

Poderíamos repetir aqui as miligramas do mebendazol e do albendazol, mas preferimos não duplicar esse número em duas páginas — se algo mudar no folheto de um dos medicamentos, corrigir num único sítio evita que fique uma versão desatualizada esquecida noutro lado. A dose completa, por idade e está em mebendazol e albendazol: doses e preços. Da mesma forma, não recomendamos aqui nenhum produto vendido como "limpeza" ou "detox natural" para parasitas sem exame prévio. A própria norma portuguesa é direta ao dizer que tratamento preventivo sem diagnóstico não deve ser prescrito, e isso vale tanto para medicamentos como para suplementos vendidos com essa promessa.

Fontes utilizadas 6

  1. Norma nº 006/2017 da Direção-Geral da Saúde, "Abordagem Diagnóstica e Terapêutica das Parasitoses em Idade Pediátrica" (12/06/2017)
  2. Folheto informativo Toloxim (mebendazol, suspensão oral 20 mg/ml), aprovado INFARMED 29/12/2016
  3. Folheto informativo Zentel 400 mg comprimidos (albendazol), aprovado INFARMED 11/02/2022
  4. Preço de mercado Pantelmin 100 mg (mebendazol), 6 comprimidos
  5. Sinais de alarme digestivos (dispepsia), CAG/ACG
  6. Cleveland Clinic, "Pinworms" — padrão noturno da postura de ovos e da comichão

Perguntas frequentes

  1. A oxiurose é causada por um protozoário?

    Não. É causada por um verme nematode, o Enterobius vermicularis. Os protozoários (como a Giardia lamblia) causam outras infeções intestinais, com sintomas, diagnóstico e tratamento diferentes.

  2. Uma análise de fezes normal exclui oxiúros?

    Não necessariamente. Os ovos são depositados na pele à volta do ânus, não libertados em quantidade relevante nas fezes — por isso o exame correto é o teste de fita-cola (Graham), feito de manhã antes do banho, e não a análise de fezes habitual.

  3. Só a pessoa com sintomas precisa de tratamento?

    Não. A Direção-Geral da Saúde recomenda tratar a pessoa infetada e todos os conviventes da mesma casa, com repetição passadas duas semanas — mesmo quem não tem sintomas pode estar infetado e reiniciar o ciclo.

  4. Posso tratar oxiúros sem confirmar o diagnóstico?

    Não é o que a norma portuguesa recomenda. O texto é direto: não deve ser prescrito tratamento preventivo contra parasitas intestinais. O caminho correto é confirmar por teste de fita-cola e só depois tratar.